Plano de aula da WIKI
Conteúdos:
- Socialização
- Hábitos cotidianos
Influência familiar na formação da
identidade
Objetivos
- Compreender o conceito de socialização
- Analisar e discutir o papel do
ambiente familiar
para os processos de socialização e construção da identidade individual
(socialização primária)
- Explorar outras formas de socialização como, por exemplo, o ambiente escolar
e de trabalho (socialização secundária)
Materiais
necessários
- acessar a reportagem "Meu amado ex-enteado" (Veja,2310,
27 de fevereiro de 2013)
Introdução:
A matéria de Veja, "Meu
amado ex-enteado" discute a importância do ambiente familiar,
argumentando que mesmo nos casos em que não existem laços sanguíneos, a família
é o grupo social onde formamos os mais profundos e duradouros laços afetivos.
Segundo a sociologia, a importância da família para a formação individual é
ainda mais complexa: é no ambiente familiar que aprendemos certos hábitos,
costumes e valores que definirão nossas escolhas durante a vida adulta. Este
plano de aula discute essa questão a partir do conceito de "socialização".
Além de discutir a influência da família (socialização primária) na formação do
caráter individual, aborda também outras formas de aprendizado social, que
ocorrem nos círculos de amizade, na escola ou no trabalho (socialização
secundária).Influência familiar na formação da identidade
Metodologia:
Análise dos textos:
Socialização primária e
Socialização secundária.
E da
reportagem "Meu amado ex-enteado" (Veja,2310,
27 de fevereiro de 2013)
Para os sociólogos Peter L. Berger e Thomas Luckman, autores do livro
"A Construção Social da Realidade", todo o conhecimento que possuímos
é produzido e influenciado pelas relações sociais que vivenciamos desde nossa
infância. Para os autores, mesmo as ideias e hábitos que são assumidos como
"senso-comum" ou "óbvios" são, na verdade, resultado de
nossa inserção e papéis em determinados grupos sociais.
O conceito de socialização é fundamental para compreender esse aspecto
da vida em sociedade. É por meio da socialização em diferentes grupos sociais
que aprendemos as regras de conduta que são observadas pelos membros do grupo
e, portanto, as formas de agir e pensar que são fundamentais para o indivíduo
conviver em sociedade. Assim, os diferentes processos de socialização podem ser
vistos como o próprio aprendizado da vida em sociedade.
A primeira forma de socialização (ou socialização primária) está relacionada ao
ambiente familiar e é fundamental para os processos de socialização
subsequentes, que acontecem no ambiente escolar e na vida adulta.
É durante a socialização primária que as pessoas aprendem as principais regras
de conduta, normas, valores, posições éticas e relações pessoais e de
afetividade que irão possivelmente manter durante o restante de suas vidas.
As regras apresentadas para a criança durante a socialização primária são
determinadas pelos pais ou responsáveis e apresentam-se como uma realidade
objetiva, não-negociável. Por exemplo, os horários corretos para as refeições e
o uso correto dos talheres são determinados pelos adultos, sendo assumidos como
regras não negociáveis para a criança, que aprende a se comportar de forma a
respeitar essas regras válidas em seu convívio social (é por isso que nossos
hábitos pessoais como jovens e adultos é ainda muito similar ao que aprendemos
quando crianças).
A socialização primária, no entanto, não diz respeito apenas às atividades e
convenções da vida cotidiana, mas também aos valores e formas de relação
interpessoal que iremos cultivar no futuro: se uma criança for socializada em
um ambiente no qual atitudes discriminatórias em relação às minorias são
comuns, ela tenderá a reproduzir esse padrão, pois percebeu que em sua família
esse é um comportamento aceitável e correto. (Maiko Rafael Spiess)
Socialização secundária
A socialização
secundária é diferente da socialização primária, mas ambas são fenômenos
complementares. A proibição e a vergonha em relação à nudez são estabelecidas
durante a socialização primária, no âmbito familiar, mas as regras de
vestimenta são em muitos casos determinadas pela socialização secundária. Por
exemplo, as escolas podem possuir uniformes e locais de trabalho e sugerir o
uso de "roupas sociais" como terno e gravata, e alguns eventos
especiais podem exigir o uso de certas peças de vestuário (como o vestido
branco das noivas).
Tratam-se de ações guiadas por dois conjuntos de regras, diferentes porém
relacionados. Certos padrões podem se manter de forma invariável (a
obrigatoriedade do uso de vestimenta em público), mas os detalhes mais
específicos (como o tipo de vestimenta adequado para cada situação) variam de
acordo com o grupo social com o qual iremos interagir.
O mesmo vale para os padrões relacionados com a alimentação: durante uma
refeição com um grupo de amigos, iremos escolher o restaurante e o tipo de
prato de acordo com as preferências do grupo e opções disponíveis, mas nossos
alimentos preferidos (e aqueles que desconhecemos ou detestamos!), os hábitos
de uso dos talheres, as regras de etiqueta são herdados da socialização
primária.
Como indica o sociólogo norte-americano Howard Becker, adaptamos nosso comportamento
de acordo com as situações ou grupos sociais nos quais nos inserimos. Por um
lado, as regras aprendidas na socialização secundária nos fornecem os meios
para poder discutir e negociar o curso de ação que iremos tomar em cada
situação específica, como a sala de aula, a fila do cinema ou o comportamento
adequado no transporte coletivo. Por outro, nosso posicionamento e
comprometimento depende principalmente de nossos valores e "formas de ver
o mundo", adquiridos durante a socialização primária. Ceder um assento
para um idoso no ônibus pode ser uma regra explícita em certas situações, mas a
adesão à regra ou a rapidez em que nos levantamos para ceder o lugar remetem
aos valores intrínsecos, aprendidos durante a socialização primária.
Não é impossível que as pessoas reavaliem ou abandonem costumes adquiridos
durante a socialização primária, mas essa tarefa é sempre bastante difícil.
Valores e costumes construídos durante a socialização primária são muito mais
internalizados e íntimos do que as normas aprendidas na socialização
secundária. A socialização secundária possui ainda um grau maior de
"anonimato". O mesmo conhecimento e regras sociais podem ser
ensinados por um professor ou outro, ou por grupos sociais diferentes, uma vez
que fazem parte de "universos sociais" mais amplos. Com isso,
costumam demandar menos comprometimento pessoal. Sua importância, porém, não
pode ser negada. (Maiko Rafael Spiess)
Após a leitura:
Solicitar
que os alunos dividam-se em grupos e
cores diferentes para anotar a conclusão do grupo .
a) Discutir quais hábitos aprendemos
com a família e quais são adquiridos na fase adulta.
b) Definir os conceitos de
socialização primária e secundária.
Avaliação:
Os alunos serão avaliados por sua participação na
aula, domínio do conteúdo (socialização, individualização), capacidade de raciocínio
crítico e criatividade